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Arquivo da categoria ‘QI Martha Galrão’

De volta à caixa de abelhas
Com zelo e alguma tristeza, guardo coisas:
cartas antigas, fotos antigas, calendários.
Se me perguntarem a razão, direi que sei, direi que um dia saberei…
Há quase um ano aguardo notícias importantes,
dentro desta caixa de abelhas.
Todas as noites, o carcereiro chega,
põe sua cabeça na pequena grade e ri.
Amanhã mesmo deixo esta coisas, […]

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Mãos
O mundo tem gosto duvidoso, Maria,
impossível, em uma vida, aprender a ser-se bom.
O mundo tem solo variado, Maria,
quando enfim sejamos grandes- oh desejo pueril-
qual chão nos suportaria:
é a grandeza que primeiro atola
num passo em falso, em terra acre…
Certo é amiudar as mãos com labor e paciência
até alcançar sua dureza nuclear, sua delicadeza fina.
Certo é amiudar-nos […]

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Daqui de casa
seguro a noite em meu peito.
Agarro a noite à unha
como um grande e velho touro negro.
Com um fio de voz
mantenho a lua suspensa (imensa).
Se eu dormir
a noite desmorona.
Martha Galrão
Maria Muadiê

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Identidade (II)
Somos oceano nas extremidades.
Contemplo minhas unhas,
conchas do mar.
Ver essas partes de nós que tanto brilham traz uma ilusão
de acabamento e completude.
Somos oceano,
peixe e cautela,
flutuação e peso em luta na água,
correnteza e vida.
Somos ave e liberdade.
E nada quero dizer do amor.
Alheio-me, abstraio-me,
ânsia e vertigem,
sonho de profundidades inauditas,
mergulho sem fim.
Ana Cecília de Sousa Bastos
Casulo Temporário

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Lembrança
(Dedicado à Adélia Prado)
Evoco luzes fugidias
Do devaneio e da lembrança.
Naquele lugar,
Onde memória e imaginação se fundem.
Construo paredes
Com sombras impalpáveis,
Reconfortando-me com ilusões de proteção
Ou tremendo atrás de muralhas.
Eis que ela aparece:
A casa. Aquela casa.
A minha fortaleza.
E fico em […]

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Pensa, Whitman
Pensa, Whitman, a poesia triunfou.
O homem só pode viver do que sonha,
e de sonhos é composta toda a trama
que há em volta. Toda maravilha
do mundo.
Calcula, Whitman. Toda a extensão do teu amor
não abarca a extensão do que veio e virá
para além dos teus versos. Mas
o amor, Whitman, foi inventado pela poesia,
e a ela deve […]

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