Enviado em 7 de Junho de 2009, 00:57, sob QI Martha Galrão, Fred Matos Sem comentários »
grão da palavra
eram sem nome todas as coisas
na mudez das horas absolutas
no fluir selvagem dos elementos
dos bichos
dos astros
das plantas
eram sem nome
até que o homem
empunhando a clava
fez-se ereto
eram sem nome
até a percepção da solidão
do amor
do ciúme:
sentimentos inatos da espécie
eram sem nome
e ele criou
nos primeiros signos rupestres
o grão
onde a palavra floresce
Fred Matos
nas horas e horas e meias
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nossos beijos costurados
nossos beijos costurados sobre a camiseta
tão inquietos os beijinhos
que caminham rebeldes pela pele
e se agarram como manchas no pescoço
eu brinco a beça com a sua cabeça
tem piolhos tem caprichos muitos grilos
pelos loiros coloridos
eu colo no seu colo a minha boca
e você se perde
porque agora tem um mar de cheiros
o amargo mar de […]
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CANTIGA DE CRER
Creio em deuses sutis
que podem bem ser um
e ser mais, que podem
ser apenas a luz, ou essa
falta de, essa não. Creio
em deuses senis, em
outros pueris, colibris.
Creio na salvação, na
minha, e na de qualquer
irmão. Creio no meu
amor, e ainda no de
seja quem for. Creio
quase sem crer, como
se fosse assim por
prazer.
Nilson Galvão
Blag
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Quando voltares para casa
Estarei na cama dormindo
Toda a mobília renovada
E nossas crianças sorrindo
Quando voltares para casa
Acharás a mulher perfumada
As panelas sobre o fogão
E todas lâmpadas apagadas
Quando voltares para casa
Notarás a família reunida
Todas as janelas abertas
E teus filhos cheios de vida
Quando voltares para casa
Todos ouvirão indiferentes
Os teus passos na entrada
Ninguém pulará de contente
Quando voltares para […]
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Farfalle
Borboletas não pousam
porque a vida é um fiapo na brisa
perde o sopro quem aterrissa
Marcus Vinícius Rodrigues
Café Molotov
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