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Arquivo da categoria ‘QI Martha Galrão’

grão da palavra
eram sem nome todas as coisas
na mudez das horas absolutas
no fluir selvagem dos elementos
dos bichos
dos astros
das plantas
eram sem nome
até que o homem
empunhando a clava
fez-se ereto
eram sem nome
até a percepção da solidão
do amor
do ciúme:
sentimentos inatos da espécie
eram sem nome
e ele criou
nos primeiros signos rupestres
o grão
onde a palavra floresce
Fred Matos
nas horas e horas e meias

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nossos beijos costurados
nossos beijos costurados sobre a camiseta
tão inquietos os beijinhos
que caminham rebeldes pela pele
e se agarram como manchas no pescoço
eu brinco a beça com a sua cabeça
tem piolhos tem caprichos muitos grilos
pelos loiros coloridos
eu colo no seu colo a minha boca
e você se perde
porque agora tem um mar de cheiros
o amargo mar de […]

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CANTIGA DE CRER
Creio em deuses sutis
que podem bem ser um
e ser mais, que podem
ser apenas a luz, ou essa
falta de, essa não. Creio
em deuses senis, em
outros pueris, colibris.
Creio na salvação, na
minha, e na de qualquer
irmão. Creio no meu
amor, e ainda no de
seja quem for. Creio
quase sem crer, como
se fosse assim por
prazer.
Nilson Galvão
Blag

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Quando voltares para casa
Estarei na cama dormindo
Toda a mobília renovada
E nossas crianças sorrindo
Quando voltares para casa
Acharás a mulher perfumada
As panelas sobre o fogão
E todas lâmpadas apagadas
Quando voltares para casa
Notarás a família reunida
Todas as janelas abertas
E teus filhos cheios de vida
Quando voltares para casa
Todos ouvirão indiferentes
Os teus passos na entrada
Ninguém pulará de contente
Quando voltares para […]

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Farfalle
Borboletas não pousam
porque a vida é um fiapo na brisa
perde o sopro quem aterrissa
Marcus Vinícius Rodrigues
Café Molotov

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