Gustavo Felicíssimo: a “retranca” no GALOPE
Enviado em 4 de Dezembro de 2009
Publicado por Cláudia Cordeiro | Enviar por e-mail
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O esmero com que Gustavo trata a poesia é realmente confortador em tempos de tantas tendências que não se resolvem.
Cultor da retranca, forma fixa criada por Alberto da Cunha Melo, aproveitou o sistema estrófico e poliu os versos octossilábicos com cesura na 2ª, 5ª e 8ª sílabas, como faziam os simbolistas. E informa: “Ainda possuo outras onde faço a cesura tradicional do octossílabo, na 4ª e 8ª.”
O resultado supreende por uma sonoridade encantatória, onde tradição e criação rimam com beleza. “Ouro fino”, diria Bruno Tolentino. Leia:
GALOPE
Se tudo na vida é tão pouco,
a lira de ouro e safira,
eu sigo na vela e no vento
cantando a sutil poesia;eu passo e repasso suplícios,
eu vivo e revivo os inícios;na curva do tempo não dobro,
não trago o tal dobre dos sinos,
não levo ao soberbo malogrotampouco desprezo o dilema
disforme de um belo poema.