Três poemas de Humberto Lima de LUCENA FILHO
Enviado em 7 de Junho de 2009
Publicado por Cláudia Cordeiro | Enviar por e-mail
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Poema Cura
Lamenta, ó alma, tuas angústias e remove as pedras que te pesam
Deixa soprar sobre ti o vento cicatrizante
Não te permitas ser corroída pelo veneno da culpa
Aprende as lições e sejas como ossos ressuretos
Voam os dias sem que tu pouses e repouses um segundo
“Qual o propósito?”, perguntas.
Resigno-me ao desprazer de te deixar curiosa e sem respostas
Pára. Respira. Estanca tuas hemorragias.
Há vida lá fora mesmo diante de tantos jazigos espirituais
Os teus gritos ecoam nos templos edificados por ti mesmo
Aguenta, suporta sem pestanejar
Desconvida o medo e limpa as feridas
Retrocede e humilha-te.
O controle não anda sob teus punhos
Pois te crucifico hoje e morro contigo
Para que amanhã possa renascer.
Palavreado
Parei, pensei,
Pensei, parei
Porque parar para pensar pressupõe petulância
Para poucas pessoas. Pouquíssimas.
Percebi-me principiologicamente preso pedindo por piedade
Piedade? Positivo.
Piedade, paz, paixão, pureza,
Planejamento, paciência, positivismo…
Padecente ponderei: Pedir para..?
Para padres, pastores, prostitutas, pobres, políticos,
Pigmeus, pacifistas, paleontólgos, povos, populações, pessoas.
“Prudência”, protestou Psichê.
Prostrei-me, parti-me, pari promessas
Promovi profundas propagandas psicológicas
Para possuir? Pretexto puro!
Preferia propalar palavras. Polissílabas, proparoxítonas, plurais,
Permeadas pelo poder poético.
Portanto precisava papeá-las, proliferá-las pujantemente
Pois parecia pouco perceptível…
Procurei portas, portões, pontos, praças…
Poucos predicados pessoais? (Preocupei-me)
Pontuei possibilidades
Programei passeatas, públicos, pandeguices
Putz! Pífio para poder pugnar pedras pensantes .
Parei, pensei
Pensei, parei.
As verdades doem, trituram, afrontam,
São atrevidas e imperdoáveis
Imagino e as comparo com seres de olhos vívidos
Incapazes de moverem as pestanas
Ora, não são verdades por acaso
Têm importância tamanha
Que até as mentiras se passam pelas tais
Elas desnudam, expõem, mostram suas feridas abertas
E liberam nossa fedentina moral
Todos a exigem
Raros são os psicologicamente estruturados para ouvi-la
Alguns até preferem viver entre as sombras do desconhecido
E a região nebulosa da omissão falseada
Outros suportam apenas meia verdade,
Embora neguem no discurso
(Aquela com um toque de purpurina incandescente)
Mas o certo enfeitado não é verdade. É lenda!
Ela também liberta, já dizia o carpinteiro nazireu
Todo ser livre teve o sacrifício da alforria,
O preço adequado para respirar per si
Ninguém é liberto por mera liberalidade
Quando se trata de destruir grilhões via verdade
O pagamento é a dor do indesejado
E a amargura de se ver o que não deveria
Veritas!
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