‘grão da palavra”, poema de Fred Matos
Enviado em 7 de Junho de 2009
Publicado por Cláudia Cordeiro | Enviar por e-mail
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grão da palavra
eram sem nome todas as coisas
na mudez das horas absolutas
no fluir selvagem dos elementos
dos bichos
dos astros
das plantas
eram sem nome
até que o homem
empunhando a clava
fez-se ereto
eram sem nome
até a percepção da solidão
do amor
do ciúme:
sentimentos inatos da espécie
eram sem nome
e ele criou
nos primeiros signos rupestres
o grão
onde a palavra floresce
Fred Matos