“Nascer em Namibe Tombua Mirabilis”, poema de Namibiano Ferreira
Enviado em 7 de Junho de 2009
Publicado por Sílvia Câmara Martinez | Enviar por e-mail
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Quando nasci e Tombua
mirabilis flor de cacimbo
a velha casa de adobe
e telhado de zinco
não ouviu de imediato
meu primeiro vagido.
Houve um momento silente
perdido de quase morte
até que a alma cadente
cantasse chorando
a nova sorte.
E depois o abraço fraterno
um árido afago
no pacto eterno
riscado no chão de oferta
coração enorme a pulsar Namibe:
a duna queimada
foi meu berço;
o cacimbo rendado
o tule do enxoval;
o pungo do mar
foi meu sustento;
o areal dourado
a manta de brincar;
o Curoca da fartura
foi água do ritual;
a garroa e a calema
meu poema d’embalar;
o cântico das casuarinas
foi meu guizo de ninar;
o povo mukubal
meu mestre de versejar;
o guelengue elegante
–meu mágico companheiro alado–
foi pégaso de cavalgar
o dorso quente futuro de Poesia.
[…] Aos que chegam d’África e aos que chegarão, a SAUDAÇÃO DO PLATAFORMA PARA A POESIA e do INSTITUTO MAXIMIANO CAMPOS. Em vídeo, o primeiro poema angolano publicado neste blog pela poeta e colaboradora Sílvia Câmara: “Nascer em Namibe Tombua Mirabilis”, poema de Namibiano Ferreira. SEJAM TODOS BEM-VINDOS! […]