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Arquivo de 7 de Junho de 2009

herói,
na periferia,
numa viela escura
chove grosso
numa calçada
um triste cão com seu osso
resiste ao frio e à fome.
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descanso,
deitar e sentir
os ossos furando o magro corpo pesado
(ventilador amenizando o calor,
relógio cumprindo seu dever)
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23:46
é tarde demais,
mas logo, daqui a uns minutos,
será cedo:
dia novinho em folha.

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“aboiá um verso”
não se nega a vida porque ela é dura,
não se nega a morte, por ser ela, de certeza,
a certeza mais convencida,
vida, morte,
morte, vida
é tudo uma questão de saber
qual dor é mais vivida.
se a luta diária é um cangaço,
se o vento quente bate no rosto o ar de mormaço,
siga a […]

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A PONTE
(Laura Limeira)
Chegamos atrasados para o espetáculo do por-do-sol.
Aquele amarelo-ouro já ía sumindo com o seu brilho
enquanto a noite descia, negra, sobre “a ponte”.
Diante daquele mar barulhento, de águas azuis,
ficamos a admirar o horizonte longínqüo…
Alí, abraçados a namorar, fomos assistidos pela natureza
e permanecemos na cumplicidade mágica daquele
tapete de madeira e ferro, por um tempo […]

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Poema Cura
Lamenta, ó alma, tuas angústias e remove as pedras que te pesam
Deixa soprar sobre ti o vento cicatrizante
Não te permitas ser corroída pelo veneno da culpa
Aprende as lições e sejas como ossos ressuretos
Voam os dias sem que tu pouses e repouses um segundo
“Qual o propósito?”, perguntas.
Resigno-me ao desprazer de te deixar curiosa e sem […]

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Quando nasci e Tombua
mirabilis flor de cacimbo
a velha casa de adobe
e telhado de zinco
não ouviu de imediato
meu primeiro vagido.
Houve um momento silente
perdido de quase morte
até que a alma cadente
cantasse chorando
a nova sorte.
E depois o abraço fraterno
um árido afago
no pacto eterno
riscado no chão de oferta
coração enorme a pulsar Namibe:
a duna queimada
foi meu berço;
o cacimbo rendado
o tule […]

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A idéia transforma,
O sonho em realidade,
Viva, viva, viva, viva,
A liberdade da Arte.
O brilho que agora brilha,
Não é um brilho que ofusca,
Livre, livre, livre, livre,
Vencemos mais uma luta.
Quantos dias se passaram,
Às vezes, esperando o fim,
Fogo, fogo, fogo, fogo,
Acendeu-se a esperança em mim.
Que vontade de ser visto,
Dividir com toda gente,
Viva, livre, fogo, novo,
O coração que não mente.
Genilson […]

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