“Morte de Soledad Barret”. Homenagem especial ao poeta uruguaio Mario Benedetti
Enviado em 23 de Maio de 2009
Publicado por Urariano Mota | Enviar por e-mail
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MORTE DE SOLEDAD BARRET
Mario Benedetti
Viveste aqui por meses ou por anos
traçaste aqui uma reta de melancolia
que atravessou as vidas e a cidade
Faz dez anos tua adolescência foi notícia
te marcaram as coxas porque não quiseste
gritar viva hitler nem abaixo fidel
eram outros tempos e outros esquadrões
porém aquelas tatuagens encheram de assombro
a certo uruguai que vivia na lua
e claro então não podias saber
que de algum modo eras
a pré-história do íbero
agora metralharam no recife
teus vinte e sete anos
de amor de têmpera e pena clandestina
talvez nunca se saiba como nem por quê
os telegramas dizem que resististe
e não haverá mais jeito que acreditar
porque o certo é que resistias
somente em te colocares à frente
só em mirá-los
só em sorrir
só em cantar cielitos com o rosto para o céu
com tua imagem segura
com teu ar de menina
podias ser modelo
atriz
miss paraguai
capa de revista
calendário
quem sabe quantas coisas
porém o avô rafael o velho anarco
te puxava fortemente o sangue
e tu sentias calada esses puxões
soledad solidão não viveste sozinha
por isso tua vida não se apaga
simplesmente se enche de sinais
soledad solidão não morreste sozinha
por isso tua morte não se chora
simplesmente a levantamos no ar
desde agora a nostalgia será
um vento fiel que flamejará tua morte
para que assim apareçam exemplares e nítido
as franjas de tua vida
ignoro se estarias
de minissaia ou talvez de jeans
quando a rajada de pernambuco
acabou completo os teus sonhos
pelo menos não terá sido fácil
cerrar teus grandes olhos claros
teus olhos onde a melhor violência
se permitia razoáveis tréguas
para tornar-se incrível bondade
e ainda que por fim os tenham encerrado
é provável que ainda sigas olhando
soledad compatriota de três ou quatro povos
o limpo futuro pelo qual vivias
e pelo qual nunca te negaste a morrer.
(Leia no Sapoti da Japaranduba: “Mario Benedetti e o Recife” . Acesse: http://urarianoms.blog.uol.com.br/)
Urariano, vou deixar aqui registrado o post que deixei em seu blog para que todos saibam da verdade sobre a morte de Soledad e Pauline Reichstul, e para que todos saibam que mortas, elas estão mais vivas que nunca! Soledad através do seu livro a ser lançado e Pauline através do Instituto fundado pelo seu irmão Philippe Reichstul - http://www.institutopauline.org.br/index.php?option=com_frontpage&Itemid=39
Abraço imenso.
Urariano, vou esperar ansiosa por esse livro. Soledad, juntamente com Pauline Reichstul, por uma terrível trama do destino, foram arrancadas quase mortas de uma boutique que minhas irmãs Vera e Sonja tinham em Boa Viagem, onde elas tinham colocado umas blusas para venda em consignação. O fato está contado por Paulo Cavalcanti no 2º volume do livro “O caso eu conto como o caso foi (pág. 332 e seguintes). Na época, pensando tratar-se de um assalto meu cunhado foi a uma delegacia, mas o policial de plantão não lhe deu ouvidos limitando-se a dizer algo como “deixe prá lá…” Mesmo assim, no dia seguinte, quando viu as fotos mentirosas nos jornais, minha irmã fez uma denúncia à OAB-PE. Na década de 90, minha irmã Sonja, em depoimento à Comissão de Direitos Humanos, aqui no Recife, reconheceu o famigerado Cabo Anselmo numa foto da época - era ele que estava defronte a casa dela num fusca… Foi ele quem entregou Soledad, grávida dele… Elas não reagiram - foi um verdadeiro massacre e dói!