“Hora de Morrer”, de Alberto da Cunha Melo
Enviado em 23 de Maio de 2009
Publicado por Ermelinda Ferreira | Enviar por e-mail
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I
É tempo de morrer: as chances
não percebidas, se voltassem,
e agora fossem percebidas,
talvez no pranto se afogassem;
porque se foram as esperas
e os prazos longos; restam meras
oscilações arteriais
entre jornais não desdobrados,
cochichos, sombras e sinais
de que alguém (se alguém ainda te ama)
vai ficar ao lado da cama.
II
“Hora de morrer”, disse o andróide,
um dourado ser ariano,
sentindo o tempo digital
de sua vida se acabando;
tempo de pétala, de pústula,
de pressa frívola, de dúvida,
destes fáceis jogos verbais,
coroas de lama e de louro
sobre os cabelos dos mortais;
hora de o ser voltar aos seus
eflúvios cósmicos de Deus.
Ermelinda Ferreira - ( Leia em “Ciência e tecnologia na tradição literária pernambucana: a poética científica de Joaquim Cardozo, César Leal e Alberto da Cunha Melo” - Revista Digital Hipertextus, n. 3 - http://www.hipertext.net/)